Colheita sem perder o olhar no solo | Comida Boa - Do Campo à Mesa

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Colheita sem perder o olhar no solo

Colheita sem perder o olhar no solo

O solo está na base da nossa alimentação e cotidiano, pois é nele que plantamos os alimentos e outras matérias-primas que usamos na fabricação de tecidos e na geração de energia limpa. Conservar esse patrimônio é dever de todos nós.

E como os produtores lidam com esse recurso? Para quem depende da qualidade da terra para seguir produzindo, a missão de conservação do solo, é diária.

Quer saber mais? Fique com a gente! Garantimos que você nunca mais vai olhar para a terra do mesmo jeito.

Terra bem conservada é o que precisamos

Uma terra bem conservada mantém a capacidade de produção, de infiltração de água, preservação de nascentes e ainda impede o assoreamento de rios, diminuindo o risco de inundações.

Mas afinal, como se pode conservar um recurso que está sendo usado há tanto tempo?

Para entrar no clima sobre os desafios de conservação de solo, confira o documentário da Netflix – Kiss the ground

Poucas mexidas no solo, por favor

Antigamente, arar a terra era uma prática comum. Para isso, os produtores usavam equipamentos que revolvem o solo, deixando a superfície exposta à ação do sol, da chuva e do vento. Com o tempo aprendemos que essa não é a melhor forma de cuidar desse recurso. Quanto mais se mexe nele, mais se perde.

A ciência nos mostrou que podemos semear uma nova cultura sobre os resíduos (palha) da colheita anterior. Começamos a plantar direto sobre materiais secos, sempre que possível. Com isso, os produtores passaram a adotar uma prática chamada, plantio direto.

Nesta prática, não se revolve a terra no momento de plantar a lavoura. Apenas se abre um sulco para depositar as sementes.  O solo fica sempre coberto por uma camada de palha, protegendo a terra dos efeitos do sol, do vento e da chuva.

A área se mantém úmida por mais tempo e ainda evita a erosão. A cobertura reduz o impacto das gotas de chuva, evitando que a parte mais fértil do solo seja carregada pelas enxurradas.

Com o passar do tempo, os restos das culturas que ficam sobre o solo são decompostos por microrganismos (fungos e bactérias, entre outros) e por macrorganismos (minhocas, cupins, formigas, por exemplo). Ao final, tudo se transforma em matéria orgânica, essencial para preservar a estrutura e a fertilidade do solo.

Diversidade de lavouras

Os agricultores também seguem o planejamento sobre o que irão plantar pensando na conservação do solo.  Afinal, a monocultura (cultivo de uma única cultura durante várias safras) ou até mesmo a sucessão de culturas (alternância entre duas culturas na mesma área) tendem a provocar a degradação física, química e biológica do solo. 

Por isso, o ideal é alternar o plantio de diferentes espécies vegetais na mesma área, de forma sucessiva, ao longo do ano e, também, dentro da mesma estação. Isso tudo exige muito planejamento dos produtores.

Seguindo essa alternância, os produtores promovem a diversificação biológica. Esse processo faz a ciclagem de nutrientes. Culturas diferentes requerem nutrientes diferentes e, no processo natural de decomposição de caules, folhas e raízes, parte do que a planta consumiu ao longo da vida é devolvida para o solo.

A diversidade de plantas também contribui para a redução da infestação de insetos que, muitas vezes, têm preferência por alguma espécie. Então, trocando a cultura, estes insetos ficam sem alimento ou abrigo. O mesmo acontece com fungos, bactérias e vírus causadores de doenças. 

Outro benefício é a redução da compactação do solo. Cada espécie de planta tem um tipo de raiz. Algumas são mais superficiais, outras mais profundas. Assim, a alternância de culturas atinge diferentes camadas do solo, facilitando a entrada de ar e de nutrientes. 

Adubo verde também faz bem

Essa prática agrícola utiliza plantas que produzem grande quantidade de biomassa (palha). Com a adubação verde, o agricultor mantém o solo coberto até a semeadura da nova lavoura, promove a reciclagem de nutrientes, conservando e melhorando a qualidade do solo para o plantio.

As leguminosas, em geral, são as espécies mais utilizadas, porque são consideradas grandes fixadoras de nitrogênio.  Isso significa que essas plantas são capazes de capturar nitrogênio do ar e transferi-lo para a terra. E nitrogênio é um dos elementos essenciais para o desenvolvimento das plantas.

Lavouras cheias de curvas

Se você já passou por áreas agrícolas, deve ter percebido que boa parte das lavouras não está disposta em linhas retas e sim em curvas, especialmente, em terrenos com declividade.

Podemos dizer que se trata da construção de barreiras físicas para impedir que, ao bater no chão, a água da chuva ganhe velocidade, forme enxurrada, e desça pela área abrindo sulcos e carregando solo para a parte mais baixa do terreno. Com o passar do tempo, se não houver nenhuma barreira, a água vai correr sempre pelo mesmo caminho causando erosão.

Para conhecer sobre a erosão, que tal conferir a experiência promovida pela estudante Vitória na iniciativa do Museu Catavento de São Paulo?

Além da perda das camadas mais férteis do solo, a erosão pode resultar no entupimento de nascentes e calhas de rios, no processo chamado de assoreamento. O plantio em nível é, portanto, uma grande ferramenta para conservar o solo e a água.

Mix de culturas

Outra técnica importante é o plantio combinado de lavouras com adubação verde. Funciona assim: após a colheita, se implanta alguma cultura cuja principal função é gerar palha (biomassa) e manter o solo coberto até a semeadura da nova lavoura comercial. O adubo verde fica sobre a terra, ou é incorporado a ela, para alimentar a fauna do solo e aumentar o teor de matéria orgânica.

O mix de culturas também pode ser de espécies arbustivas, arbóreas e rasteiras, formando uma agrofloresta. Essa técnica está sendo bastante estudada e sua implantação tem crescido ao longo das décadas. Numa agrofloresta, é possível gerar mais nutrientes e ter menos perda do solo, imitando os processos naturais.

Como exemplo, podemos citar o cultivo consorciado de árvores para a produção de madeira com grãos. Enquanto as árvores crescem, o que pode levar anos, o agricultor pode colher arroz, feijão, milho, entre outros. Dessa forma, ambas as culturas aproveitam os investimentos com adubação, a terra fica coberta e o agricultor tem renda.

Para conhecer mais sobre as agroflorestas confira a reportagem:

Uma floresta em equilíbrio

Produção integrada é tudo de bom

O sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), foi desenvolvido no Brasil e, entre outras vantagens, é uma forma de conservar o solo. Essa estratégia de produção integra diferentes sistemas (agrícolas, pecuários e florestais) dentro de uma mesma área.

Os cultivos e criações de animais podem ser feitos de forma consorciada (ao mesmo tempo), em sucessão ou em rotação. O importante é que todas as atividades tenham benefício mútuo.

O ILPF pode ser utilizado em quatro modalidades:

– Lavoura/Pecuária

– Lavoura/Pecuária/Floresta

– Pecuária/Floresta

– Lavoura/Floresta

O ILPF otimiza o uso da terra, eleva os patamares de produtividade por área e diversifica a produção das propriedades rurais.  Além disso, a estratégia está associada à redução da emissão de gases de efeito estufa. Dados da Embrapa mostram que o sistema é capaz de “sequestrar” 8 toneladas de carbono por hectare ao ano, o que resulta numa redução de emissão entre 20 e 30%.

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