Bancos genéticos, na prática | Comida Boa - Do Campo à Mesa

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Bancos genéticos, na prática

Bancos genéticos, na prática

Quando o assunto é biodiversidade, pensamos em uma infinidade de seres que estão nesse planeta. Alguns visíveis, outros nem tanto, micros, que só podem ser vistos com a ajuda de equipamentos.

Aí, surge a pergunta: como manter essa variedade de espécies hoje e para as futuras gerações? Com a evolução da ciência, o homem tem a oportunidade de preservar a vida. No Brasil, temos uma enorme quantidade de recursos genéticos guardados e conservados sob responsabilidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). São como cópias de segurança. O Banco Genético está localizado em Brasília, na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.

O doutor em genética e pesquisador e supervisor do banco Genético da Embrapa – Juliano Pádua falou com a gente

Qual é a importância de se conservar os recursos genéticos?

Apenas uma pequena fração de toda a biodiversidade é utilizada e explorada pelo homem. Os recursos genéticos são essa fração – a parte da biodiversidade que apresenta valor atual ou potencial para a humanidade. A maioria das espécies, que faz parte da rotina alimentar do brasileiro, não é de origem nacional. Por exemplo, arroz, feijão, alface, tomate não são nativos do Brasil. As carnes mais comumente usadas na alimentação, como de vaca, porco e galinhas também não provém de animais nativos, o que nos deixa extremamente dependentes de recursos genéticos exóticos, isto é, originados de outros países. Assim, manter grandes coleções, ou bancos, que conservam a variabilidade genética de um produto, é fundamental para a segurança alimentar e para a sustentabilidade da agricultura brasileira. Eles são a matéria-prima para o desenvolvimento de novas cultivares, para o melhoramento de raças animais, para o desenvolvimento de produtos biológicos capazes de combater pragas e doenças na lavoura, melhorar a eficiência de processos industriais, produção de bioenergia, dentre inúmeras outras aplicações.

“manter grandes coleções é fundamental para a sustentabilidade da agricultura brasileira.”

Como é feita essa conservação?

O banco começou a ser criado na década de 1970 quando as primeiras câmaras de armazenamento de sementes foram construídas. Elas operavam a uma temperatura de 5ºC e permitiam a conservação em curto e médio prazos. Vários avanços foram feitos na década de 1980, como a remodelação da estrutura para a conservação de sementes a -18ºC. Essa temperatura negativa permitia a manutenção das sementes viáveis, ou seja, aquelas com altas taxas de germinação, por dezenas ou até centenas de anos.  Mas, sempre buscando um maior tempo de preservação, a Embrapa construiu um laboratório para conservação in vitro de plantas porque muitas espécies possuem sementes que não podem ser conservadas sem perda de viabilidade. Para se chegar à infraestrutura atual, ao longo dos anos, o Banco Genético foi renovado e novas tecnologias implementadas, como a criopreservação. Essa técnica permite o armazenamento de germoplasma animal, microbiano e vegetal em nitrogênio líquido, a – 196ºC.

Quantos materiais estão armazenados?

Damos o nome de acesso para cada amostra diferente de uma mesma espécie. Assim, em relação às plantas, temos hoje conservados quase 115 mil acessos de 1.077 espécies na forma de sementes e cerca de 1.200 acessos de plântulas conservadas in vitro, em tubos de ensaio. Na área animal, temos amostras de mais de 17 mil animais de 22 espécies diferentes.  E são cerca de 7.000 linhagens de microrganismos.

Qual é a capacidade do banco?

Na parte de sementes, ocupamos duas câmaras de conservação, que abrigam mais de 140 mil amostras. Estas câmaras estão operando com 60% de sua capacidade de armazenamento. Há, também, duas câmaras já instaladas, além de espaço para construção de outras duas. Essa estratégia também foi utilizada para a conservação in vitro, que possui duas câmaras de conservação, a 10 e 20 °C, com capacidade para mais de 10 mil amostras. Para a criopreservação, há espaço para 24 criotanques para germoplasma animal, microbiano e vegetal.

Qual é a origem dessas amostras?

O Banco Genético recebe as amostras que são conservadas nos bancos e coleções das unidades da Embrapa, espalhadas pelo Brasil e de alguns parceiros no país e no exterior. Há também o interesse de outros países em manter cópias de suas amostras no Banco Genético. Temos uma parte da coleção de feijão do Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT), da Colômbia, e toda a coleção de batata do Centro Internacional da Batata (CIP), do Peru. Além disso, têm amostras dos bancos e coleções brasileiras em vários países do mundo.

Qual é o protocolo de segurança para receber e enviar as amostras?

As amostras são recebidas, conferidas e encaminhadas para a realização de um tratamento de fumigação (com produtos químicos), para prevenir a entrada de pragas e evitar os danos por elas causados às sementes. Esse procedimento é feito pela exposição das sementes à fosfina (fosfeto de alumínio). Quando as amostras chegam de outros países, são submetidas ao setor de quarentena para análise. Essa etapa é de fundamental importância para evitar a entrada de pragas exóticas no território nacional.

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